A despedida de Tommy Shelby: Um encerramento à altura do mito
O gongo soou pela última vez, mas o mito de Thomas Shelby prova ser imortal. “Peaky Blinders: O Homem Imortal” chega à Netflix não apenas como uma continuação, mas como um encerramento reverente e satisfatório para a mente criminosa mais calculista da televisão. Sob a direção de Tom Harper e o roteiro de Steven Knight, o filme transporta os espectadores para o caos da Segunda Guerra Mundial, em 1940, mostrando que a guerra deixou de ser apenas um negócio para bater à porta de casa.
Um salto para o inferno da guerra e o legado dos Shelby
A sequência de abertura, que retrata o bombardeio real na fábrica Birmingham Small Arms, é uma obra-prima técnica que define o tom de apostas elevadas. Enquanto isso, Tommy Shelby (Cillian Murphy), assombrado pelo luto, vive um isolamento quase fantasmagórico. “Que rei eu fui”, lamenta, vagando entre túmulos. Murphy entrega uma atuação estoica, retratando um homem entre a vida e a morte, apenas escrevendo suas memórias. Contudo, o mundo não o deixa em paz. Seu filho e herdeiro, Duke Shelby (Barry Keoghan), assume o controle com punho de ferro e rancor, espelhando a imprevisibilidade fria do pai. Duke se vê atraído por uma oferta de lucro de guerra de John Beckett (Tim Roth), um vilão simpatizante nazista que opera a sinistra Operação Bernhard para desestabilizar a economia britânica com moeda falsa.
O confronto de gerações e o retorno de rostos familiares
A química entre Cillian Murphy e Barry Keoghan é o coração pulsante do filme, com pai e filho em pé de guerra em cenas viscerais e brutais. Duke busca superar o legado do pai com medidas extremas, enquanto Ada Thorne (Sophie Rundle) tenta, em vão, ser a voz da razão. O elenco de apoio brilha com retornos impactantes: Hayden Stagg (Stephen Graham) retorna para ajudar Tommy, e Kaulo (Rebecca Ferguson) traz um elemento místico que, embora divida opiniões, serve como gatilho para tirar Tommy de seu exílio. Aliados históricos como Charlie Strong (Ned Dennehy), Johnny Dogs (Packy Lee) e Curly (Ian Peck) mantêm a base de lealdade do império Shelby.
Estética imortal: Som e imagem que marcam
Visualmente, o filme é uma obra de arte, com cada frame tratado como uma pintura de luz e sombra. A trilha sonora, com Fontaines D.C., mclusky e o clássico de Nick Cave, continua sendo um personagem à parte, culminando em uma cena emocionante de Murphy em um cavalo preto, remetendo diretamente ao primeiro episódio da série. Para novos espectadores, um aviso: o filme contém spoilers massivos da série. Embora o diálogo forneça contexto, o impacto emocional é reservado para quem acompanhou as seis temporadas.
Veredito: “Não esquecerei de nada”
“Peaky Blinders: O Homem Imortal” entrega o “último round” que o fandom merecia. É uma despedida emocionante de Murphy ao seu papel mais icônico, marcada por luto e orgulho relutante. O filme encerra a saga de forma explosiva e condizente com o peso histórico de seus personagens. “Eu me lembrarei de tudo e não esquecerei de nada”, diz Shelby no longa, e o legado dos Peaky Blinders está, de fato, seguro, seja nas mãos de Tommy ou nas cicatrizes de Duke.
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