O Incidente no Tribunal
Durante sua aparição em um julgamento sobre dependência de redes sociais em Los Angeles, Mark Zuckerberg e sua equipe legal chamaram a atenção ao usar óculos inteligentes Meta Ray-Bans. A escolha do acessório, no entanto, foi recebida com desaprovação pela juíza, que explicitamente proibiu o uso de smart glasses no tribunal. Segundo o jornalista Jacob Ward, que estava presente, a juíza advertiu a equipe da Meta, descrevendo o ocorrido como um “extraordinário deslize”. A situação gerou especulações, com alguns veículos de imprensa classificando o episódio como uma “propaganda de produto supremamente estranha” e outros sugerindo que Zuckerberg capitalizou a atenção, mesmo que negativa, sob o lema “não existe má publicidade”.
Regras e Preocupações com a Gravação
A juíza Carolyn Kuhl reiterou a política do Tribunal Superior de Los Angeles, alertando que qualquer pessoa gravando o andamento do processo seria acusada de desacato. “Se você fez isso, deve apagar, ou será considerado em desacato ao tribunal”, declarou a juíza, enfatizando a seriedade da regra. A fotografia e a gravação de vídeo são geralmente proibidas nos tribunais do Condado de Los Angeles, e os oficiais judiciais têm a discrição de impor restrições adicionais em suas salas de audiência.
A Ascensão e os Riscos dos Óculos Espiões
Independentemente de ter sido uma estratégia intencional ou um lapso, o incidente no tribunal destaca um problema fundamental dos óculos inteligentes: a incerteza sobre sua capacidade de gravação. Embora um pequeno LED luminoso seja supostamente ativado durante a gravação, uma rápida pesquisa online revela tutoriais sobre como desativar essa luz indicadora nos óculos da Meta. Com o aumento da popularidade dos smart glasses, impulsionada em grande parte pelos modelos da Meta, o público em geral começa a se deparar com as implicações desses dispositivos, e as instituições estão começando a reagir.
Proibições e Casos de Uso Indevido
O College Board recentemente proibiu o uso de tecnologia vestível durante a realização dos exames SAT. Relatos indicam que a companhia de cruzeiros Royal Caribbean também baniu os óculos de certas áreas de seus navios, e a Força Aérea dos Estados Unidos restringiu o uso de smart glasses com capacidades de foto, vídeo ou inteligência artificial por seu pessoal uniformizado. Embora a maioria da população ainda não esteja plenamente ciente dos perigos, casos de uso indevido já surgem. Um exemplo notório é o de uma mulher do Reino Unido, Oonagh, que foi filmada sem consentimento por um homem. O vídeo, contendo a interação em que ele pede o número de telefone dela, foi publicado no TikTok e obteve milhões de visualizações, causando pânico e angústia a Oonagh diante dos comentários abusivos que recebeu.
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