Um Sonho de Anos Se Torna Realidade
A ideia de capturar skydivers em traje de wingsuit deslizando sob o espetáculo da Aurora Boreal era um sonho ambicioso do fotógrafo Michael Clark, um profissional com mais de três décadas de experiência e um olhar único que une visão artística, atletismo e rigor científico. A concepção original partiu de Jeff Provenzano, membro da equipe Red Bull Air Force, que desejava encerrar sua estadia no Alasca com um salto espetacular sob as luzes do norte. Cerca de quatro anos antes, Provenzano procurou Clark para avaliar a viabilidade de registrar tal feito.
Clark, que possui formação em Física, aplicou sua expertise analítica para conceber um plano. Ele colaborou com Jon DeVore, capitão da Red Bull Air Force e nativo do Alasca, para organizar a logística complexa do salto. “Foi originalmente a ideia de Jeff Provenzano”, explica Clark. “Ele me ligou há cerca de quatro anos para saber se era possível capturar imagens à noite sob a aurora. Depois de pesquisar e usar minha experiência anterior fotografando auroras em outros lugares, elaborei um plano para documentar este projeto e então partimos para realizá-lo.”
O caminho para a realização foi repleto de obstáculos. Condições climáticas desfavoráveis, ventos fortes e a natureza imprevisível da aurora forçaram cancelamentos de última hora. No entanto, a persistência da equipe e a paixão de Clark pela resolução de problemas mantiveram o projeto vivo. Com uma longa parceria com a Red Bull, Clark está acostumado a desafios de alto risco e tecnicamente exigentes, prosperando na interseção entre habilidade atlética e inovação fotográfica.
Desafios Técnicos em Condições Extremas
Capturar o movimento rápido dos skydivers contra o fundo de longa exposição necessário para a aurora boreal apresentou desafios técnicos monumentais. Enquanto a aurora exige exposições que variam de um a vinte segundos, os skydivers se moviam a aproximadamente 190 km/h. O objetivo era congelar o movimento dos atletas sem perder a riqueza de cores do fenômeno natural.
As tomadas aéreas foram realizadas por Mike Brewer, que voava com uma Nikon Z6 equipada com uma lente Nikkor 20mm f/1.8 e um pequeno flash SB-400 acoplado ao capacete. O flash de curta duração congelou a ação dos skydivers, enquanto as longas exposições capturaram a aurora. No solo, Clark e o fotógrafo Kien Quan utilizaram uma Nikon Z8 com strobes alimentados por bateria para registrar as aterrissagens. Eles sincronizaram os flashes com exposições de 1.3 segundos para criar um desfoque de movimento enquanto iluminavam os atletas.
“Os LEDs vermelhos acabaram sendo a cor mais fraca, mas foi isso que fez os skydivers parecerem estar voando em chamas sob a aurora. Não sabíamos que ficaria assim até vermos as imagens. Superou tudo o que havíamos imaginado”, afirma Clark. As temperaturas extremas, que chegavam a -29°C em altitude de salto e com sensação térmica inferior a -70°C, adicionaram outra camada de complexidade. Os atletas utilizavam iluminação LED em seus trajes para visibilidade e segurança, o que representou um desafio adicional para as fotografias de longa exposição. Através de experimentação e colaboração, a equipe transformou essas limitações em vantagens criativas.
Colaboração e o Momento Mágico
O sucesso do projeto dependeu intrinsecamente de confiança e trabalho em equipe. Brewer, Provenzano e DeVore trouxeram sua perícia em paraquedismo, compostura sob pressão e um entendimento intuitivo de composição. Clark forneceu a estratégia fotográfica e a expertise técnica, guiando Brewer no posicionamento e operação da câmera. Fotógrafos em solo complementaram com ângulos adicionais, capturando as aterrissagens com desfoque de movimento e iluminação precisa.
Após anos de planejamento e a gestão de inúmeras variáveis, o clímax do projeto foi breve, mas extraordinário. Um único salto produziu a maioria das imagens que a equipe havia idealizado. A combinação da luz da aurora, o movimento dos wingsuits, o brilho dos LEDs e o timing preciso resultaram em visuais que superaram as expectativas de Clark. “Com este único salto onde tudo se alinhou perfeitamente – a aurora, os wingsuits, o desfoque de movimento dos LEDs – foi tudo o que queríamos e mais. Ver isso depois de anos de planejamento foi mágico. Todos saíram zumbindo de excitação, e eu ainda sinto isso dias depois”, reflete Clark.
Para Michael Clark, projetos como este transcendem o exercício técnico. São oportunidades de expandir os limites e explorar territórios fotográficos inexplorados. Ele enfatiza que ver as imagens finais superarem o conceito original é excepcionalmente raro, mesmo em uma carreira de trinta anos. “Criar imagens que são quase impossíveis de realizar é o que realmente me empolga. Trabalhar com uma equipe para criar algo completamente novo no espaço fotográfico, é por isso que eu faço o que faço”, conclui.
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