Liberte sua Criatividade: O Caminho para Obras Inéditas
Após 25 anos atrás das câmeras, o fotógrafo Jerred Zegelis, associado à OM SYSTEM, acreditava ter dominado as leis da fotografia: fotografar em RAW, manter a neutralidade, corrigir na pós-produção e evitar filtros artísticos. Essas regras, absorvidas de fóruns, tutoriais e hábitos profissionais, tornaram-se dogmas. No entanto, ao inventar uma cidade fictícia e experimentar com filtros que antes desprezava, Zegelis descobriu que quebrar suas próprias regras resultou nos trabalhos mais gratificantes de sua carreira.
“Este tem sido o melhor ano da minha fotografia”, afirma Zegelis. “Finalmente parei de separar minhas emoções do meu trabalho e as deixei fazer parte do que crio.” A transição de professor de fotografia para criador em tempo integral o levou a questionar tudo o que havia aprendido, percebendo que a criatividade mais forte surgia no momento da captura, e não na edição posterior.
1. Mergulhe em um Projeto, Mesmo que Fictício
Zegelis propõe a criação de “recipientes para experimentação”. Ao conceber um projeto, como a cidade fictícia de North Hawk, Nebraska, com histórias inventadas e mistérios, ele se liberta da preocupação de que cada imagem funcione isoladamente. Essa abordagem permite explorar livremente, transformando cada estrada de terra e prédio abandonado em uma porta para novas narrativas visuais. A ideia é criar um universo, estimulando a criatividade sem as amarras do realismo.
2. Comprometa-se com um Estilo Antes de Fotografar
A decisão de fixar uma estética antes de clicar força uma nova maneira de ver e compor. Ao viajar para Marfa, Texas, em um momento pessoalmente difícil, Zegelis utilizou um filtro de Art Filter da OM-3 com borda, abraçando a escuridão em vez de combatê-la. Essa escolha transformou sua visão, permitindo capturar a estranheza e a energia do local de uma forma que ele não antecipava. O compromisso com um visual, seja um filtro, um perfil de cor ou um modo monocromático, elimina a rede de segurança da edição posterior, tornando a visão intencional e a restrição um combustível criativo.
3. Abrace os “Truques” Descartados
Filtros, bordas, grãos e grades de cor intensas, frequentemente vistos como “truques” por fotógrafos mais técnicos, podem ser a chave para a criatividade. Zegelis confessa ter desprezado esses recursos como amadores, mas em Marfa, eles se tornaram seu avanço criativo. Ao usar o recurso Color Creator em seu máximo, ele obteve tons etéreos que jamais imaginaria em pós-produção. Ele enfatiza que o público geral busca sentir algo em uma imagem, e não analisar sua técnica. Abraçar esses “truques” é fotografar para as pessoas, não para os gatekeepers da indústria.
4. Fotografe a Partir do Significado, Não Apenas do Momento
Conectar a fotografia a memórias, emoções ou significados pessoais transforma cenas comuns em portais. Durante um projeto de Natal, Zegelis percebeu que fotografar apenas cenas bonitas resultava em imagens vazias. Ao retornar ao seu bairro de infância, as luzes de Natal ganharam vida através das memórias de sua infância. A câmera permitiu registrar como ele se lembrava, mais mágico e vibrante. A sugestão é perguntar-se sobre as memórias de um local ou usar música para evocar sentimentos antes de fotografar, priorizando a emoção sobre a mera representação visual.
5. Permita a Entrada do Caos na Sua Composição
A perfeição técnica pode ser uma armadilha. Borrões intencionais, movimentos de câmera e “erros” podem expressar emoções, incertezas e a passagem do tempo de maneiras que fotos nítidas não conseguem. Uma imagem de Zegelis, com exposição prolongada e movimento da câmera, captura a sensação caótica e incerta de tentar recordar árvores de Natal da infância. Esses “portais de memória” demonstram que a imperfeição técnica pode ser uma poderosa ferramenta expressiva. Ele incentiva a experimentar com velocidades de obturador “erradas” ou movimentos deliberados para ver o que a imagem pode comunicar.
6. Use RAW+JPEG como Permissão para Experimentar
Fotografar em ambos os formatos oferece a liberdade de experimentar com visuais na câmera, mantendo uma versão segura em RAW. O JPEG se torna um playground criativo, enquanto o RAW serve como rede de segurança. Zegelis descobriu que os JPEGs processados na câmera, especialmente com o Creative Dial, podem ser tão ou mais inspiradores do que o trabalho em RAW, levando-o a vender essas criações. Essa dualidade é uma “permissão” para ousar sem medo de perder o arquivo original de alta qualidade.
7. Pare de Fotografar para Outros Fotógrafos
Criar obras para impressionar algoritmos ou outros fotógrafos limita a originalidade. Zegelis abandonou a busca por likes no Instagram, percebendo que estava criando para a plataforma, não para si mesmo. Ele defende a busca pela autenticidade, focando em contar histórias humanas únicas. A verdadeira originalidade vem de dentro, explorando o que nos torna singulares. Antes de postar, a pergunta crucial é: “Estou compartilhando porque amo, ou porque acho que outros vão gostar?” A resposta a essa questão direciona para o trabalho que realmente importa.
Dê a Si Mesmo Permissão para Criar
Em um ano, Jerred Zegelis transformou sua prática fotográfica, passando de trabalhos seguros para a criação de mundos fictícios e imagens que refletem suas memórias. Ele conclui que as regras que aprendeu não estavam erradas, mas eram apenas uma das muitas formas de criar. A chave para a criatividade renovada não está no equipamento, mas na disposição de experimentar, comprometer-se com um estilo, fotografar a partir do significado, abraçar o caos, usar formatos duplos e, acima de tudo, parar de buscar aprovação externa. A ação mais criativa, ele ressalta, é simplesmente permitir-se tentar algo diferente, contando sua própria história de maneira única.
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