A Ciência da Fotografia e a Confusão de Termos

A fotografia é frequentemente descrita como uma união entre arte e ciência. No entanto, a falta de adesão a princípios científicos por parte das câmeras e a inconsistência na terminologia utilizada pelos fabricantes podem gerar confusão. Tanto os pioneiros da fotografia quanto as empresas de tecnologia são, em parte, responsáveis por essa situação.

Ao trabalhar com câmeras de diferentes marcas ou ao migrar de um sistema para outro, fotógrafos se deparam com um emaranhado de jargões contraditórios e, por vezes, enganosos. A ausência de padronização é um problema recorrente.

A Busca por Padronização e os Obstáculos

A padronização é um pilar fundamental para qualquer ciência. Disciplinas como biologia, química, astronomia e física utilizam sistemas de nomenclatura universais para garantir comunicação clara e precisa, independentemente do idioma ou país. Um exemplo é o padrão ISO de sensibilidade à luz, que, em teoria, deveria garantir que uma configuração de ISO 100 em uma câmera resultasse no mesmo tempo de exposição em outra, sob as mesmas condições de iluminação e abertura.

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No entanto, fora do conceito de ISO, a fotografia demonstra uma notável falta de padronização. Isso se torna um desafio significativo para estudantes que estão aprendendo a arte e para profissionais que operam em estúdios com equipamentos de diversas marcas.

Autofoco e Seus Nomes Anômalos

Um exemplo claro dessa inconsistência é o autofoco contínuo. Enquanto a maioria das câmeras o identifica como C-AF ou AF-C, a Canon optou pelo termo “AI-Servo”. Essa nomenclatura pode ser confusa para iniciantes, pois sugere o uso de inteligência artificial avançada, quando, na verdade, trata-se de um algoritmo básico. Da mesma forma, “One Shot” da Canon para autofoco único pode ser confundido com a captura de quadro único.

Modos de Medição de Luz: Um Mar de Nomes Diferentes

A medição de luz, que em sua forma mais básica consiste em uma leitura média da cena, também sofre com a falta de uniformidade. Nikon chama-o de “Matrix”, Sony e Pentax de “Multi-Segment Metering”, Panasonic de “Multiple Metering” e Canon de “Evaluative”. Todos realizam funções muito similares, mas a variedade de nomes e ícones dificulta a compreensão e a transição entre equipamentos.

Modos de Disparo e Nomenclaturas Questionáveis

A inconsistência se estende aos modos de disparo no dial. Enquanto a maioria das marcas utiliza “A” para prioridade de abertura e “S” para prioridade de obturador, a Canon emprega “Av” (Aperture Value) e “Tv” (Time Value). O termo “Value” (valor) é considerado supérfluo, pois o que se ajusta é o valor da abertura ou do tempo, não um “valor” em si.

Até mesmo o termo “shutter speed” (velocidade do obturador) é um equívoco. O obturador mecânico opera na mesma velocidade, o que varia é o tempo de exposição. A Canon, com “time”, chegou mais perto, mas a adição de “value” e a colocação incorreta no dial obscurecem a função.

Por Que Essa Falta de Padronização?

A adoção de terminologias complexas pode ser uma estratégia de marketing para impressionar os consumidores. Contudo, é mais provável que a falta de padronização seja uma tática deliberada para manter os clientes presos a um ecossistema de marca, tornando a troca de equipamentos mais difícil e custosa. Isso se reflete na incompatibilidade de lentes entre diferentes fabricantes.

Essa falta de uniformidade prejudica não apenas fotógrafos individuais, mas também instituições como hospitais, onde a interoperabilidade entre equipamentos é crucial, e estúdios, que buscam facilitar a transição de aprendizes e estudantes entre diferentes formatos de câmera.

Apesar dos desafios, a necessidade de aprendizado contínuo e a superação de obstáculos, como a familiarização com novas terminologias e equipamentos, podem ser vistas como aspectos positivos que exercitam a mente do fotógrafo. Contudo, a padronização em áreas críticas da fotografia seria um passo importante para integrá-la mais adequadamente ao campo científico e, principalmente, para auxiliar os profissionais no dia a dia.

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By Arthur Willians

Um cara que já passou dos 30, mas ainda é viciado em animes e o mundo da ilustração digital. Agora com a nova meta de divulgar e incentivar o máximo que puder todos a acreditarem nas habilidades de desenho