Uma Vida de Arte e Sonhos
A trajetória de Roy Blakey (1930-2024) foi uma tapeçaria rica em experiências, tecida com fios de patinação artística profissional, viagens globais e uma carreira pioneira na fotografia. Sua vida e legado são agora imortalizados no documentário “Uncle Roy”, dirigido por sua sobrinha e mentora, a premiada cineasta e fotógrafa Keri Pickett.
Do Gelo à Lente: A Evolução Artística de Blakey
A conexão entre Blakey e Pickett se fortaleceu quando ela se mudou para Nova York com o sonho de se tornar fotógrafa. Lá, encontrou seu tio, já um renomado fotógrafo conhecido por seus retratos nus masculinos e trabalhos comerciais. Décadas depois, Pickett assumiu o papel de cuidadora de Blakey, que lutava contra a demência, e se tornou a guardiã de sua história.
O documentário “Uncle Roy” narra a jornada de Blakey desde sua infância em Oklahoma, onde um filme sobre patinação no gelo acendeu seu sonho, até suas performances internacionais e, posteriormente, sua transição para a fotografia. Blakey sempre esteve imerso na arte, seja deslizando sobre o gelo para audiências mundiais ou capturando imagens poderosas que o estabeleceram como um dos fundadores da fotografia queer.
Um Legado de Inspiração e Colecionismo
Paralelamente à sua carreira artística, Blakey acumulou o que é considerado o maior acervo de memorabilia de patinação artística teatral do mundo, com cerca de 44.000 itens. Essa paixão por colecionismo reflete sua dedicação às artes performáticas que moldaram sua vida.
Apesar dos protestos dos pais, Blakey abandonou a faculdade para perseguir seu sonho de patinador. Em 1948, ele escreveu a seus pais detalhando seus objetivos, que, para sua surpresa, se realizaram décadas depois. “Eu disse a eles quais eram meus sonhos em minha carta. […] Releio minha carta nos anos 80 e é incrível – tudo o que eu disse que queria fazer naquela carta se tornou realidade”, declarou Blakey em 2005.
Da Alemanha para Nova York: O Nascimento do Fotógrafo
Sua carreira na patinação, que o levou a viajar pelo mundo, começou a tomar forma na Alemanha, onde Blakey pegou uma câmera pela primeira vez para fotografar colegas. Mais tarde, no Japão, adquiriu uma Nikon, que se tornaria sua câmera preferida. Cansado das limitações financeiras da patinação, Blakey decidiu se tornar fotógrafo profissional, estabelecendo um estúdio em Nova York.
“Eu não sabia muito sobre o lado técnico da fotografia. Na verdade, ainda não sei. Meu pai saberia tudo sobre como uma câmera funcionava, mas eu não. Mas eu consigo tirar uma foto e meu pai não conseguia. Você entende? É instintivo”, explicou Blakey.
Um Tributo à Perseguição de Sonhos
Quando Pickett enfrentou uma crise de saúde que a levou a Minneapolis, Blakey a seguiu, e juntos abriram um estúdio de fotografia. “Uncle Roy” não é apenas uma homenagem ao tio amado, mas também um testemunho da importância de perseguir seus sonhos, independentemente de quão grandiosos eles pareçam. O documentário estreou recentemente no Festival de Cinema de Tessalônica, na Grécia, celebrando um homem que viveu uma vida verdadeiramente única e inspiradora.
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