Inspiração inesperada e mudança de rumo
A jornada de Serhan Yorganci, cineasta turco, para criar seu filme de animação “Square Heads” começou com uma frustração comum: ter um roteiro para um filme live-action rejeitado repetidamente. Em vez de desistir, Yorganci teve uma ideia audaciosa: transformar seu projeto em animação 3D, e o mais impressionante, fazê-lo sozinho. A inspiração para a história veio de um momento cotidiano com seu sobrinho, que tratava dinheiro como algo abstrato, motivando Yorganci a explorar como seria a percepção das crianças ao terem que trabalhar para ganhar dinheiro.
O desafio da animação 3D e um estilo único
Sem nenhuma experiência prévia em animação, Yorganci embarcou em um processo de aprendizado autodidata que durou anos. A escolha de um estilo de animação deliberadamente minimalista não foi apenas uma decisão estética, mas também uma necessidade prática. “Eu precisava de um estilo que pudesse produzir relativamente rápido, mas que ainda assim parecesse forte na tela”, explica. A simplicidade dos personagens, com cabeças maiores para facilitar a expressão facial, permitiu que ele mantivesse a produção viável para uma única pessoa, ao mesmo tempo em que conferiu ao filme um visual distinto, que lhe rendeu seleções em festivais como o Cartoons on the Bay Panorama.
Aprendizado e a luta psicológica
O processo de aprender animação 3D foi árduo. Yorganci começou do zero, explorando as diferentes facetas do processo, como modelagem, animação e renderização, focando em aprender o que era necessário para cada etapa. “Foi principalmente tentativa e erro. Eu assistia a muitos tutoriais no YouTube, testava pequenas coisas e as repetia até que fizessem sentido”, relata. A maior dificuldade, no entanto, não foi técnica, mas psicológica. “Havia essa sensação constante de que eu ainda estava perdendo alguma coisa”, confessa. A falta de feedback direto, por trabalhar sozinho, adicionou uma camada de incerteza, tornando a perseverança um fator crucial.
Adaptação e o futuro de Digitoons
Ao longo da produção, a visão do filme evoluiu. Cenas complexas foram simplificadas ou removidas para se adequar às suas capacidades como produtor solo, mas a essência da história permaneceu intacta. O resultado é um filme que, segundo Yorganci, foca no que funciona. Ele se orgulha de ter finalizado o projeto, apesar dos momentos de desânimo. Olhando para trás, ele aconselha novos animadores a não esperarem o momento perfeito para começar e a conhecerem seus limites. Com “Square Heads” agora disponível no Apple TV, Yorganci já trabalha em seu segundo filme, com o objetivo de construir um estúdio, a Digitoons, capaz de produzir filmes regularmente, mantendo a ideia de que, mesmo com ferramentas tecnológicas avançadas como a IA generativa, a essência da narrativa e a emoção humana continuam sendo o que realmente importa.
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