A Arte Visual que Roubou a Cena
O recente espetáculo de Bad Bunny no Super Bowl, que ecoou com performances inteiramente em espanhol e mensagens de união continental, deixou uma marca indelével não apenas pela música, mas também por sua impressionante direção de arte e cenografia. Contudo, um detalhe mais sutil, porém notável, capturou a atenção de muitos: a paleta de cores utilizada. Um post viral no Threads, iniciado por um fotógrafo, questionou a origem dessa colorização, comparando-a a estilos como Cineprint e Kodak, e descrevendo-a como ‘incrível’.
Especulações e Teorias sobre a Colorização
A discussão gerada online foi intensa, com diversos profissionais e entusiastas da área cinematográfica oferecendo suas teorias. Sugestões incluíam o uso de LUTs (Look-Up Tables) de Danny Gervitz, a emulação de filmes como Kodak Vision 250D, ou até mesmo uma combinação específica de negativos Kodak e impressões 2383, com ajustes de exposição. A descrição técnica apontava para tons médios avermelhados ou rosados, baixos com tons esverdeados e realces em amarelo-laranja, uma combinação que ressoava com a proposta nostálgica e celebratória do show, homenageando a história e cultura porto-riquenhas e o bairro natal de Bad Bunny.
A Revelação do Colorista
A repercussão do debate alcançou Adam Lighterman, o colorista e especialista em multicâmera de cinema que trabalhou no show. Embora não tenha revelado todos os detalhes técnicos de seu trabalho, Lighterman ofereceu uma pista valiosa, indicando que a paleta de cores do show foi inspirada nas ferramentas ‘Genesis’ e ‘Contour’ de Cullen Kelly. Ele mencionou que, além dessas influências, houve um ‘molho secreto’ e que ele trabalhou com referências do diretor criativo e uma sensação geral, alinhando-as com o design de produção e iluminação.
A Importância da Percepção na Colorização
Outros coloristas aconselharam que, ao tentar replicar o visual, o foco deve ser na identificação do que é visto na tela, em vez de buscar uma LUT específica. Argumentaram que uma mesma emulação de filme pode ter aparências distintas dependendo do contexto de produção. A recomendação é discutir os elementos visuais percebidos e como eles se integram ao design do set, em vez de se prender à nomenclatura de uma LUT. Este evento marca, possivelmente, a primeira vez que um show do intervalo do Super Bowl suscita uma discussão tão aprofundada sobre colorização, demonstrando tanto a habilidade do colorista quanto a crescente consciência do público sobre o papel crucial da cor na criação da atmosfera de uma produção audiovisual.
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