O Legado da ZS200 e a Expectativa para a ZS300
Há oito anos, a Panasonic Lumix ZS200 impressionava com sua compacidade aliada a um zoom óptico de 15x e controles manuais robustos, incluindo um útil visor eletrônico (EVF). Agora, a Lumix ZS300 chega ao mercado por um preço elevado, custando cerca de R$ 4.700 (US$ 899), com a promessa de melhorias significativas. No entanto, a pergunta que fica é: a Panasonic conseguiu inovar ou apenas trouxe de volta um modelo antigo com um novo nome?
Design e Ergonomia: O Que Permaneceu (e o Que Foi Perdido)
Em termos de manuseio, a ZS300 mantém as dimensões, o peso de 370 gramas e a excelente empunhadura emborrachada da ZS200. A entrada USB-C para carregamento e conexão é um aceno às regulamentações atuais. A presença de mostradores de controle duplos, um no polegar e outro na lente, juntamente com botões personalizáveis e um menu intuitivo, continuam sendo pontos fortes. O armazenamento é feito por um único slot de cartão SD, e a bateria BG-10PP oferece cerca de 360 fotos por carga.
Entretanto, nem tudo evoluiu. O flash pop-up, o obturador mecânico de até 1/2000s e a tela LCD traseira fixa (que agora tem maior resolução, mas ainda luta em luz forte) são remanescentes do modelo anterior. O sensor de 1 polegada e 20 megapixels também é o mesmo da ZS200. A maior e mais decepcionante mudança é a completa ausência do visor eletrônico (EVF). O modelo anterior possuía um EVF compacto, porém funcional, que era crucial para estabilizar a câmera em longas distâncias focais e avaliar com precisão o foco e o desfoque de movimento. Sua remoção, segundo o review, é uma falha grave que diminui drasticamente a utilidade da câmera.
Desempenho Fotográfico: Poucas Novidades e Tecnologia Datada
Fotograficamente, as mudanças são mínimas. A qualidade de imagem é idêntica à da ZS200, com a adição de um perfil de cor Leica Monochrome. A lente, uma compacta 24-360mm com abertura f/3.3-6.4, mantém a excelente qualidade de imagem em ambas as extremidades do zoom.
A grande decepção fica por conta do sistema de autofoco. A ZS300 retorna ao antigo sistema DFD (depth from defocus) de detecção de contraste da Panasonic, que já mostrava sua idade há oito anos. Embora possa ser aceitável para fotografia casual, usuários que desejam capturar esportes infantis ou vida selvagem encontrarão o desempenho frustrante. O zoom também continua lento fisicamente, e o tempo de ligar/desligar da câmera é ponderado, assim como no modelo anterior. Além disso, o aplicativo Lumix Lab mais recente não é compatível com a ZS300, forçando o uso do antigo Lumix Image App, o que impede o acesso a receitas e presets personalizados.
Vídeo e Conclusão: Um Passo Atrás
A capacidade de vídeo, considerada decente na época da ZS200, agora parece defasada. O corte significativo na gravação 4K e a ausência de entrada para microfone ou opção de 24fps em 1080p tornam a ZS300 inferior aos smartphones modernos para captura de vídeo. Em suma, a ZS300 é, em quase todos os aspectos, a mesma câmera de oito anos atrás, mas com um preço mais alto e um recurso essencial a menos.
Alternativas e Veredito Final
Apesar de a ZS300 oferecer um zoom potente em um corpo compacto e bons controles manuais, a remoção do EVF e a falta de inovações significativas a tornam uma escolha inferior à sua antecessora. No mercado de usados, uma ZS200 pode ser encontrada por um preço semelhante, oferecendo a mesma funcionalidade e o benefício do EVF. Outra alternativa é a Sony RX100 VII, que possui EVF e um alcance de zoom considerável, embora a um custo mais elevado.
A ZS300 pode ainda ser uma opção para quem busca um zoom maior do que qualquer smartphone oferece e não faz questão do EVF. No entanto, o downgrade de hardware e a pouca inovação tornam seu alto preço difícil de justificar. A Panasonic poderia ter cobrado um pouco mais e incluído o EVF, mantendo o sucesso do produto. Assim, a recomendação é clara: a menos que o EVF seja totalmente dispensável, a ZS300 representa uma regressão e a ZS200 usada é uma escolha mais sensata.
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