O Marco da SpaceX e o Despertar de um Fotógrafo
A SpaceX atingiu um marco impressionante ao lançar seu 10.000º satélite em órbita baixa da Terra. A vasta quantidade de objetos orbitando nosso planeta é difícil de conceber, mas o fotógrafo australiano Joshua Rozells tem ajudado a visualizar essa realidade. Sua imagem, intitulada ‘Swamped Skies’, é um compósito de 343 fotografias, todas contendo o rastro de pelo menos um satélite. Originalmente, Rozells buscava capturar o movimento das estrelas, mas se deparou com uma cena inesperada.
Uma Surpresa Celestial
“Eu fiquei surpreso”, disse Rozells à PetaPixel. “Eu já tinha visto rastros de satélite em minhas fotos antes, mas nunca tantos. Anteriormente, eu via alguns ao longo da noite, mas esta noite tinha rastros em quase todas as fotos, especialmente aquelas tiradas nos 90 minutos após o pôr do sol.” A fotografia foi tirada em janeiro de 2021, nas formações de calcário dos Pinnacles, na Austrália Ocidental. A relevância da imagem perdura, pois milhares de satélites adicionais foram lançados desde então.
A Criação de ‘Swamped Skies’
Rozells explicou que o resultado final é uma fusão de 343 fotos (mais de 85 minutos de exposição) de rastros de satélite, combinadas com uma foto de baixo nível de luz para o primeiro plano. O contraste, os realces e os brancos do céu foram aumentados para enfatizar os satélites. O trabalho meticuloso no Photoshop foi necessário para mesclar os rastros e eliminar as lacunas, uma tarefa que exigiu máscaras de camada para cada foto e atenção cuidadosa à consistência da cor do céu, especialmente devido ao ‘airglow’ (brilho atmosférico) detectado mais tarde na noite.
A Preocupação com a Poluição Luminosa e a Falta de Regulação
Após a criação da imagem, Rozells pesquisou a poluição por satélites e ficou chocado com o rápido aumento anual de lançamentos e a aparente “falta de regulamentação” no setor. “Na maioria dos países, há pouquíssimas restrições para o lançamento de satélites, desde que se tenha um propósito legítimo para fazê-lo”, observou. “Grandes empresas, como a SpaceX, conseguiram lançar quantos quiseram com pouquíssimo questionamento. A maioria são satélites de órbita baixa que fornecem acesso à internet para pessoas em locais muito remotos, o que é benéfico, mas medidas são necessárias para lidar com a poluição luminosa que causam (e outras questões).”
Impacto na Astronomia e no Nosso Legado Celestial
A poluição luminosa causada por satélites não afeta apenas a astrofotografia, mas também a astronomia em geral, tornando os dados de telescópios menos confiáveis e a pesquisa mais demorada. “Está se tornando cada vez mais difícil experimentar a grandiosidade do céu noturno não poluído, tanto pela urbanização, quanto pela poluição luminosa e pela poluição luminosa de satélites”, acrescentou Rozells. Ele vê sua imagem como um aviso sobre os efeitos da poluição luminosa de satélites, um problema que se agrava exponencialmente e que continuará assim se não forem tomadas medidas significativas para mitigá-lo. Ao mesmo tempo, a imagem reflete a capacidade humana de conectar pessoas em áreas remotas à internet, um feito notável.
Mais trabalhos de Rozells podem ser encontrados em seu Instagram. Créditos da imagem: Fotografias de Joshua Rozells.
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