O Fim da Jornada de um Personagem Intrincado
Kayce Dutton, interpretado por Luke Grimes, foi um dos pilares de ‘Yellowstone’. Inicialmente dividido entre o estilo de vida de sua família e seus próprios ideais, o personagem prometia uma evolução profunda. No entanto, segundo a crítica de Katie Doll, do CBR, a série derivada ‘Marshals’ falha em dar continuidade a essa trajetória, transformando Kayce em um mero nome conhecido em um procedural comum. A falta de uma narrativa envolvente para o personagem é gritante, e a série parece lutar para encontrar um propósito para mantê-lo relevante no universo expandido de ‘Yellowstone’.
Desconstrução de Monica e a Ausência do Brilho Familiar
Um dos pontos mais criticados é o tratamento dado à personagem Monica (Kelsey Asbille). Sua ausência na trama de ‘Marshals’ é explicada de uma forma que a torna um fardo para a história, e não um elemento que impulsiona a narrativa. A crítica aponta que Monica, que já enfrentou misoginia em ‘Yellowstone’, é novamente penalizada, servindo como um tropo para justificar a ausência da atriz e, consequentemente, tornar Kayce um personagem mais sombrio e com menos carisma. A série ignora o final feliz que a família Dutton havia conquistado, jogando Kayce em um ciclo de infelicidade sem uma justificativa narrativa forte.
Kayce Dutton: Um Passo Para Trás na Evolução
A série ‘Marshals’ coloca Kayce em uma equipe de U.S. Marshals, onde suas habilidades de cowboy e ex-Navy SEAL são postas à prova. Embora a intenção seja fazê-lo confrontar seus demônios e a violência intrínseca, a crítica sugere que essa escolha representa uma regressão para o personagem. A necessidade de ser constantemente lembrado para não agir impulsivamente e para trabalhar em equipe vai contra o arco de amadurecimento que ‘Yellowstone’ construiu. A tentativa de criar uma comunidade para Kayce se resume a personagens genéricos, com exceção de alguns que mostram potencial, como Miles Kittle.
Um Procedural Genérico que Perde a Essência de ‘Yellowstone’
‘Marshals’ adota um formato de procedural semana a semana, semelhante a séries como ‘S.W.A.T.’ ou ‘SEAL Team’, o que se distancia da narrativa serializada e dramática que consagrou ‘Yellowstone’ e ‘1923’. Embora a produção apresente boa direção e cinematografia, e até aborde questões indígenas relevantes, o formato limita o desenvolvimento de temas mais profundos. As referências a outros personagens de ‘Yellowstone’, como Beth e Rip, são pontuais e não garantem um futuro crossover. A série se contenta em ser mais um título genérico na televisão, perdendo a faísca que transformou ‘Yellowstone’ em um fenômeno. A expectativa é que ‘Marshals’ encontre seu rumo, mas a crítica sugere que o ideal seria ter capturado o público desde o primeiro episódio.
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