A Arte do Equilíbrio na Fotografia

Fotografia é um campo de constantes concessões. Aumentar a velocidade do obturador pode exigir um fechamento do diafragma, e um ISO mais alto, embora ilumine a cena, pode comprometer a qualidade da imagem. Da mesma forma, aberturas máximas maiores geralmente implicam em lentes mais caras e pesadas. Dominar esses fatores é crucial para o sucesso fotográfico.

Para iniciantes, a curva de aprendizado pode ser desafiadora, levando a confusões sobre o que é essencial e o que é supérfluo. Um equívoco comum é acreditar que lentes mais caras automaticamente resultam em melhores fotografias. Isso se torna particularmente evidente ao discutir lentes prime de f/1.2.

O Fascínio e a Realidade das Lentes f/1.2

Embora haja espaço para inovações ópticas e demonstrações de engenharia, e lentes com aberturas extremas como f/1.0 ou f/0.95 possam ter utilidade em nichos específicos, o foco aqui recai sobre lentes prime de 85mm, 50mm e 35mm. Essas distâncias focais são frequentemente disponibilizadas em versões f/1.2, mas também com aberturas f/1.4, um ponto onde os benefícios de uma abertura maior começam a se diluir.

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Lentes f/1.4 oferecem um excelente equilíbrio entre a profundidade de campo rasa desejada e a captação de luz em ambientes com pouca iluminação. Elas também tendem a ser mais acessíveis em tamanho e preço para a maioria dos fotógrafos. No entanto, ao buscar a abertura f/1.2, os ganhos em desempenho são frequentemente ofuscados pelo aumento significativo de tamanho e custo.

O Custo da Extrema Abertura

Lentes f/1.2 são frequentemente comercializadas como o ápice do desempenho óptico, refletindo em seus preços premium. Pressionar uma lente a extremos ópticos, como uma abertura máxima tão ampla, aumenta a complexidade de seu design e fabricação. Para manter a nitidez e a correção de aberrações, tecnologias avançadas são empregadas, elevando os custos.

É importante notar que qualquer lente opera em seu desempenho mínimo na abertura mais ampla. Isso significa menor nitidez e maior incidência de aberrações cromáticas. Os benefícios ópticos de ir de f/1.4 para f/1.2 são marginais: um terço de stop de luz a mais e uma diferença quase imperceptível na profundidade de campo. Muitos fotógrafos, inclusive, buscam mais profundidade de campo, e não menos, em suas composições.

O Papel do ISO e a Necessidade Real

No passado, a luz extra proporcionada por aberturas rápidas era vital devido às limitações de ISO das câmeras. Hoje, com a melhoria significativa na qualidade de imagem em altos ISOs, essa necessidade diminuiu drasticamente. Podemos fotografar em condições de pouca luz com ISOs que antes seriam impensáveis.

Na fotografia de retrato, a profundidade de campo rasa é frequentemente desejável. Uma lente 85mm f/1.8 já oferece esse efeito para situações específicas. Contudo, mesmo em f/1.8, com o sujeito ligeiramente fora do plano paralelo ao sensor, um olho pode ficar fora de foco. Em muitos casos, fotógrafos de retrato experientes preferem trabalhar em aberturas como f/4 ou f/5.6 para garantir nitidez total no rosto do sujeito, tornando a necessidade de uma lente f/1.8, quanto mais f/1.2, supérflua.

Uma Mensagem para Novos Fotógrafos

Este artigo visa ser um alerta amigável para fotógrafos iniciantes, ajudando a discernir quais características de lentes podem não ser tão cruciais quanto parecem. Embora existam cenários onde uma abertura f/1.2 seja vantajosa, são casos raros. Profissionais em estúdio podem justificar o custo extra para usos criativos pontuais de profundidade de campo mínima.

Para a maioria, o aumento de volume e o custo adicional de uma lente f/1.2 podem não compensar os benefícios modestos. Opte por lentes prime f/1.4 se você busca profundidade de campo rasa, mas reflita cuidadosamente antes de assumir que as pequenas diferenças oferecidas por uma lente f/1.2 são essenciais para o seu trabalho. A escolha da lente ideal sempre reside em selecionar a ferramenta certa para a tarefa em questão.

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About The Author

By Arthur Willians

Um cara que já passou dos 30, mas ainda é viciado em animes e o mundo da ilustração digital. Agora com a nova meta de divulgar e incentivar o máximo que puder todos a acreditarem nas habilidades de desenho