Uma Voz que Marcou Gerações se Cala
O universo do entretenimento brasileiro está de luto. Nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, o aclamado ator e dublador Ricardo Schnetzer, de 72 anos, nos deixou. A notícia, confirmada por colegas de profissão, como Wirley Contaifer, ecoou rapidamente, gerando comoção entre fãs e artistas que admiravam sua trajetória marcante. Schnetzer lutava contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa que o afastou progressivamente dos seus movimentos. O diagnóstico, divulgado no início do ano, mobilizou uma onda de solidariedade, com campanhas online arrecadando fundos para auxiliar em seu tratamento domiciliar, evidenciando o profundo impacto que o artista teve na vida de milhões de brasileiros.
O Maestro das Vozes de Hollywood no Brasil
Nascido no Rio de Janeiro em 13 de abril de 1953, Ricardo Schnetzer iniciou sua promissora carreira na década de 1970. Rapidamente, consolidou-se como a voz em português de grandes estrelas de Hollywood. Sua interpretação deu vida a personagens inesquecíveis como o visceral Tony Montana, de Al Pacino em “Scarface”, e o carismático Maverick, de Tom Cruise em “Top Gun: Ases Indomáveis”. Ao longo de décadas, sua voz emprestou nuances a astros como Nicolas Cage, Richard Gere, John Cusack e Patrick Swayze, tornando-se sinônimo de excelência na dublagem.
De Heróis da TV a Vilões do Cinema: Um Talento Camaleônico
Para muitas gerações, Schnetzer era mais do que um dublador; era a personificação vocal de heróis que marcaram a infância e adolescência. Ele imortalizou Hank, o líder do grupo em “Caverna do Dragão”, e deu voz ao emblemático Capitão Planeta. No universo dos animes, sua elegância ressoou em Albafica de Peixes em “Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas”. Mais recentemente, trouxe a imponência necessária ao caçador de recompensas Boba Fett nas produções de “Star Wars” para plataformas de streaming. Sua versatilidade ia além, marcando presença na teledramaturgia estrangeira, com destaque para sua interpretação de Carlos Daniel, de Fernando Colunga, na novela mexicana “A Usurpadora”, um marco na cultura pop brasileira. A capacidade de transitar entre o drama intenso de um gângster, a leveza de um galã de novela e a bravura de heróis infantis atestava seu talento camaleônico.
Um Legado que Ecoa nas Telas
A partida de Ricardo Schnetzer encerra um capítulo fundamental na história da dublagem brasileira, deixando um vazio imenso no setor. No entanto, seu legado permanece vivo em milhares de horas de áudio que continuam a encantar em clássicos do cinema e em novas produções. Colegas de profissão o descreviam como um “mestre de técnica impecável”, que moldou a maneira como o Brasil consome o cinema internacional. Detalhes sobre o velório e sepultamento serão divulgados pela família.
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