A Descoberta no Flickr e a Fascinação da Banda
Em 2010, o Vampire Weekend lançou seu aclamado segundo álbum, ‘Contra’. A capa, uma polaroid de uma jovem loira com um olhar enigmático, tornou-se tão icônica quanto a própria música. A imagem foi encontrada pelo membro da banda Rostam Batmanglij em uma busca por “New York City 1983” no Flickr. O fotógrafo Tod Brody, que alegou ter tirado a foto durante uma sessão de casting em 1983, vendeu a imagem para a banda por US$ 5.000.
Ezra Koenig, vocalista da banda, explicou à Pitchfork que a ambiguidade do olhar da mulher era o que mais atraía. Ele especulou sobre a idade dela, que poderia variar entre 15 e 27 anos, vendo nela alguém “à beira de algo”, o que se alinhava com os temas do álbum. A banda não conhecia a identidade da mulher, apenas que ela supostamente “morava em Malibu”.
A Revelação e o Sentimento de Exploração
A identidade da mulher na foto, Ann Kirsten Kennis, só foi revelada em 2010, após o lançamento do álbum. Sua filha reconheceu a mãe em um anúncio online do álbum. Inicialmente lisonjeada, Kennis começou a se sentir explorada ao ver a imagem repetidamente em anúncios e como pano de fundo em shows da banda. “Parecia que alguém estava me explorando”, declarou Kennis à Vanity Fair, questionando o direito da banda de usar sua imagem sem consentimento.
O Processo Judicial e as Acusações
Kennis entrou com um processo de US$ 2 milhões contra Vampire Weekend e Brody, argumentando que a capa contribuiu significativamente para o sucesso comercial do álbum. Ela afirmou ser uma modelo de alta moda na época, mas Brody alegou que Kennis havia assinado um termo de liberação em 2009, o que ela negou, alegando falsificação de assinatura.
A defesa de Kennis levantou dúvidas sobre a autoria da foto por Brody. Seu advogado sugeriu que a mãe de Kennis, uma ávida fotógrafa amadora, poderia ter tirado a polaroid e, possivelmente, a vendido ou doado. No entanto, uma ex-agente de Kennis contestou, afirmando que a imagem era claramente de uma sessão de casting. A banda e sua gravadora, XL Recordings, mantiveram que haviam seguido os procedimentos corretos para licenciar a imagem, atribuindo a responsabilidade a Brody.
O Desfecho e as Consequências
O litígio entre Kennis e o Vampire Weekend terminou em um acordo, resultando na desistência das acusações contra a banda. Posteriormente, o Vampire Weekend processou Brody, acusando-o de ter deturpado seus direitos sobre a imagem. Brody, após ter seus advogados abandonarem o caso por sua hostilidade e falta de comunicação, faleceu quatro anos depois, antes de uma resolução definitiva ser amplamente divulgada.
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