Regulamentação como Estímulo à Inovação
As novas regulamentações do Reino Unido sobre anúncios de alimentos menos saudáveis (LHF) podem parecer uma restrição criativa, mas representam uma oportunidade única para agências e marcas repensarem suas estratégias publicitárias. Ao limitar o uso de imagens de produtos e endossos diretos por criadores de conteúdo, a política força uma mudança do marketing transacional para a construção de narrativas de marca mais profundas e envolventes.
O Fim dos Atalhos Criativos
A publicidade focada no produto, que se tornou uma muleta criativa, está sendo substituída pela necessidade de criar campanhas que entretenham e cativam. Pesquisas indicam que anúncios focados em “showmanship” superam aqueles focados em “salesmanship”, resultando em maior memorabilidade. A proibição de LHF não elimina oportunidades criativas, mas sim os atalhos, exigindo um retorno a técnicas de publicidade mais robustas e criativas.
Lições do Passado e o Poder da Marca
Grandes campanhas de marcas como Guinness, Cadbury e John Lewis provaram que o sucesso não reside em mostrar o produto, mas em criar mundos imersivos que evocam sentimentos associados à marca. Exemplos como a campanha “Raise the Arches” do McDonald’s demonstram como a ausência do produto pode destacar a identidade da marca. Quando a regulação força as marcas a serem menos literais, o trabalho criativo tende a se tornar mais interessante.
Fortalecendo Ativos de Marca e a Agilidade dos Desafiantes
A nova realidade exige que ativos de marca distintos – cores, tipografia, som, personagens e tom de voz – se tornem essenciais. Marcas estabelecidas com ativos culturais já consolidados têm uma vantagem, enquanto marcas emergentes podem usar sua agilidade para construir códigos de marca rapidamente. Pequenas e médias empresas (PMEs), isentas das regulamentações, têm uma janela para investir em construção de marca a longo prazo.
Evolução dos Criadores e Novos Métricas de Sucesso
Criadores de conteúdo evoluirão de demonstradores de produtos para colaboradores, performers e contadores de histórias. Isso exigirá briefings mais sofisticados e um pensamento mais ousado, focando em integrar criadores em mundos de marca consistentes e criativos. As métricas de sucesso também precisarão se adaptar, priorizando métricas de funil completo, como aumento de marca, atenção, memória e relevância cultural, em vez de se concentrar apenas em conversões de curto prazo.
Uma Nova Era para a Publicidade
A proibição de LHF acelera a transição do marketing focado em produto para a construção de universos de marca. Ela recompensa a imaginação, a emoção e a humanidade sobre a persuasão funcional. Para os criativos, isso representa um convite para projetar marcas como sistemas vivos, colaborar com criadores como parceiros culturais e reintegrar o artesanato, a consistência e a criatividade no centro da eficácia comercial. A próxima década desafiará os profissionais a imaginar novamente.
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