A Busca por uma Identidade Óptica
O fotógrafo e criador de conteúdo do YouTube, Mathieu Stern, conhecido por sua paixão por lentes vintage, embarcou em uma jornada intrigante: descobrir quais lentes eram utilizadas nas antigas cabines fotográficas analógicas. O objetivo era claro: replicar o visual autêntico dessas máquinas icônicas em suas próprias criações. No entanto, o que parecia uma missão simples se revelou um desafio surpreendente.
“Este projeto me forçou a buscar respostas nos lugares mais incomuns”, relata Stern. Sua investigação o levou a museus, a pesquisas online infrutíferas e a uma reflexão profunda sobre a tecnologia oculta por trás de um objeto tão familiar.
Um Legado de Imortalização Instantânea
A história das cabines fotográficas automatizadas remonta a 1925, com a invenção do Photomaton por Anatol Josepho. Por 25 centavos, as pessoas recebiam um pequeno álbum com oito fotos impressas em cerca de dez minutos, um feito notável para a época. Antes disso, retratos eram inacessíveis para a maioria. As cabines democratizaram a fotografia, tornando-se presença constante em estações de trem, feiras e centros comerciais.
Com o avanço das câmeras instantâneas e, posteriormente, da fotografia digital, as cabines analógicas foram gradualmente desaparecendo. Estima-se que hoje restem menos de 200 em funcionamento no mundo. Apesar disso, o fascínio por elas permanece. Stern observou longas filas em todas as cabines que visitou para seu projeto, evidenciando o desejo atemporal por uma imagem física e única.
As Pistas Ópticas: Um Quebra-Cabeça em Evolução
A descoberta das lentes exatas foi um processo de tentativa e erro. Stern encontrou uma patente da década de 1940 que descrevia uma lente de retrato Wollensak de 3 polegadas e f/2, projetada para não necessitar de foco e com foco profundo para compensar a profundidade de campo. Mais tarde, a Wollensak desenvolveu uma lente específica para cabines, a “Photomat” de 75mm f/4.5.
Contudo, a pesquisa não parou por aí. Um vídeo de restauração de uma cabine antiga em Londres revelou o uso de uma lente de ampliação Dallmeyer 75mm f/4.5. A investigação de Stern continuou, incluindo a filmagem do interior de cabines com uma câmera moderna, onde ele encontrou lentes Nikkor 35mm f/2.8 em duas cabines diferentes na França.
A Magia Está na Experiência, Não Apenas na Lente
Com as informações em mãos, Stern conseguiu recriar o visual clássico em casa, até mesmo com câmeras digitais modernas. Ele compartilhou o conhecimento, permitindo que outros fotógrafos replicassem o efeito. No entanto, o fotógrafo ressalta que a verdadeira essência das cabines fotográficas analógicas não reside apenas nas especificações técnicas de suas lentes.
“Quando entrei naquela cabine no café do museu, pensei que essas máquinas vintage deviam ter algum tipo de tecnologia óptica incrível que faz você parecer legal, não importa o quê. Uma lente que seria impossível para mim encontrar”, confessa Stern. Ele conclui que o que torna essas cabines tão especiais é o sentimento nostálgico, a experiência de participar de um ritual fotográfico quase esquecido pelo tempo e a posse de uma foto única. É a vivência, e não apenas o vidro, que confere o encanto duradouro às cabines fotográficas analógicas.
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