O Que Torna uma Câmera Monocromática Essencial?
Em um mundo onde qualquer câmera digital pode facilmente converter imagens para preto e branco, surge a pergunta: por que investir em uma câmera dedicada e monocromática? A resposta, segundo entusiastas e a própria Ricoh, reside na experiência e na qualidade intrínseca que um sensor sem filtro de cor pode oferecer. Enquanto a eficiência e a versatilidade podem ser argumentos contra, a jornada fotográfica e a paixão pela estética em tons de cinza encontram na GR IV Monochrome um encaixe natural, semelhante ao que a Leica oferece com suas câmeras Monochrom.
Design Familiar com Melhorias Pontuais
A Ricoh GR IV Monochrome mantém o design compacto e ergonômico de seus antecessores, medindo apenas 2mm a menos que a GR III e pesando 272 gramas. A marca retorna ao layout de botões da GR II, uma mudança elogiada pela facilidade de uso. Os controles são discretos para evitar que prendam em roupas, e a pegada é confortável, permitindo operação com uma mão. No entanto, a ausência de um visor eletrônico (EVF) exige o uso do display traseiro ou a compra de um visor óptico externo. A lente fixa de 28mm (equivalente em full-frame) com abertura f/2.8 foi aprimorada em nitidez, especialmente nos cantos, e o desempenho em close-ups é notável. A vedação contra poeira ao redor da lente foi reforçada e um adaptador para filtros está disponível. A bateria oferece cerca de 250 disparos por carga (padrão CIPA) e há 53GB de memória interna, dispensando o uso imediato de um cartão microSD.
O Coração Monocromático: Qualidade de Imagem Superior
A grande novidade da GR IV Monochrome é seu sensor CMOS de 26 megapixels desprovido de filtro de cor (CFA). Essa ausência permite que a luz atinja os pixels diretamente, resultando em menor ruído, melhor desempenho em ISOs elevados (potencialmente um stop a mais) e maior detalhe nas sombras. Em testes preliminares, a diferença de ruído e detalhe em comparação com o perfil em preto e branco da GR IV padrão foi perceptível, prometendo uma qualidade de imagem que fotógrafos P&B apreciarão.
Novos Perfis e Recursos Criativos
A câmera introduz seis novos perfis monocromáticos, variando de contrastes acentuados a tons suaves, além da opção de criar perfis personalizados. O formato RAW é DNG, facilitando a edição posterior. Um destaque é o filtro vermelho físico integrado, que simula o efeito de filtros usados em filmes analógicos, escurecendo céus azuis e realçando cores quentes, proporcionando um visual mais dramático. Este filtro substitui o filtro ND nativo, mas filtros externos podem ser utilizados. O obturador eletrônico agora atinge 1/16000 segundo, oferecendo mais controle sobre a exposição sem a necessidade de filtros ND.
O Dilema do Preço e o Posicionamento no Mercado
A Ricoh GR IV Monochrome chega com um preço de US$ 2.200 (aproximadamente R$ 11.500 na cotação atual), um acréscimo de US$ 700 em relação ao modelo padrão. Esse valor a coloca em um patamar premium, embora ainda distante dos preços de câmeras Leica Monochrom. Para a Ricoh, o público-alvo é nichado, e a demanda, mesmo com o preço elevado, deve superar a oferta. Contudo, o custo adicional representa um obstáculo significativo para muitos, tornando difícil justificar o investimento em detrimento da GR IV convencional, que, em comparação, parece um achado.
Vale a Pena Comprar?
Para o fotógrafo dedicado ao preto e branco, a Ricoh GR IV Monochrome pode ser uma aquisição extremamente gratificante, oferecendo uma experiência única e resultados superiores. Ela se posiciona como uma alternativa mais acessível às câmeras de altíssimo custo da Leica. Apesar do preço elevado, a câmera preenche uma lacuna no mercado de câmeras compactas e dedicadas em preto e branco, combinando qualidade de imagem excepcional com um design ultraportátil. A decisão de compra dependerá, em última análise, da paixão do fotógrafo pela estética monocromática e da disposição em investir em uma ferramenta especializada.
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