A Obra-Prima de David Milch e Seus Clássicos Inesperados
David Milch’s Deadwood é amplamente considerada uma obra-prima televisiva, elogiada por sua narrativa cativante, elenco estelar e diálogos únicos que mesclam o profano com o profundo, conferindo uma gravidade shakespeariana à série. Enquanto episódios como “Here Was a Man”, que narra o assassinato de Wild Bill Hickok, e “A Lie Agreed Upon, Part 1”, com a lendária briga entre Al Swearengen e Seth Bullock, são frequentemente citados como os melhores, um episódio específico da segunda temporada tem, com justiça, começado a receber o reconhecimento que merece.
A Construção da Segunda Temporada e a Tragédia que Uniu Deadwood
A segunda temporada de Deadwood aprimorou a coesão da primeira, explorando a crescente inimizade entre Swearengen e o Xerife Bullock, que culminou em violência brutal. Durante o período em que Swearengen lutava contra pedras nos rins, o acampamento enfrentou diversas ameaças. Paralelamente, acompanhamos a jornada de outros personagens: Joanie Stubbs iniciou seu próprio bordel, o Chez Amis, apenas para vê-lo desmoronar após um massacre; Calamity Jane desenvolveu um romance complicado; Alma Garrett ponderou a proposta de casamento de Whitney Ellsworth, e Bullock e sua esposa Martha lidaram com as complexidades de seu casamento. No entanto, a trama tomou um rumo sombrio com a morte acidental do jovem William Bullock, atropelado por um cavalo desgovernado. Essa perda devastadora e súbita serviu como o ponto culminante de toda a temporada, culminando em um funeral emocionante no episódio “The Whores Can Come” (Temporada 2, Episódio 11).
Um Risco Calculado que Revelou a Essência da Comunidade
O episódio do funeral, embora doloroso e difícil de assistir, representa o ápice temático da série. A decisão de Milch de focar na morte de William e afastar Swearengen da cena por vários episódios foi um risco considerável. Matar um personagem infantil de forma tão abrupta poderia alienar o público, assim como a ausência prolongada do protagonista. Contudo, a morte de William não foi um mero artifício chocante, mas sim um elemento crucial para a narrativa de Milch sobre a formação de uma comunidade a partir de um território sem lei. A tragédia serviu como um catalisador, expondo a crescente humanidade e interconexão dos habitantes de Deadwood.
O Funeral que Parou a Cidade e a Transformação dos Personagens
A diferença entre o funeral de Hickok, com pouquíssimos presentes, e o de William, que paralisou toda a cidade, demonstra a evolução de Deadwood em uma comunidade coesa. Quase todos os personagens importantes compareceram, incluindo as prostitutas do Gem, que justificam o título do episódio. Swearengen, em sua habitual discrição, não esteve presente fisicamente, mas sua dor e preocupação com o bem-estar da cidade foram evidentes em sua conversa com uma de suas garotas e em sua garantia tácita de que a cidade parasse para honrar o menino. O funeral também uniu Joanie Stubbs e Calamity Jane, ambas buscando um senso de propósito em meio ao luto e à incerteza. Para Alma Garrett, observar Whitney Ellsworth cuidar de Sophia após a perda de William solidificou sua decisão de aceitar a proposta de casamento, encontrando não amor romântico, mas segurança, proteção e uma figura paterna para sua filha em um mundo imprevisível.
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