Introdução
Neon Genesis Evangelion transcendeu o gênero mecha, tornando-se um marco cultural com sua narrativa crua e psicológica. A série, marcada pela fragilidade mental de seu criador Hideaki Anno, cativou audiências por décadas com seus personagens complexos e suas lutas internas. No entanto, o que a torna tão impactante também resulta em finais decepcionantes e frustrantes para muitos de seus protagonistas, deixando fãs com a sensação de que alguns mereciam um destino mais justo.
Misato Katsuragi: O Peso do Fracasso e Relações Complicadas
Como diretora de operações da NERV, Misato Katsuragi carrega um fardo imenso. Além de comandar batalhas de EVA e servir como guardiã e confidente de Shinji, ela se vê assolada pela culpa ao testemunhar o declínio mental de Shinji e Asuka, interpretando-o como reflexo de suas próprias falhas. Apesar de momentos de leveza, Misato vivencia perdas devastadoras e sente-se impotente. Seu ato final, um “beijo de adulto” em Shinji para motivá-lo, é ambíguo e borra as linhas entre mentora e interesse romântico. Seu legado, construído com esforço, acaba sendo ofuscado por relações tóxicas e um senso de inutilidade.
Ryoji Kaji: A Luz Apagada Cedo Demais
Ryoji Kaji se destaca como uma figura complexa e carismática na NERV, operando como agente triplo e buscando desestabilizar as facções. Seu passado com Misato adiciona uma camada emocional à trama. Tragicamente, Kaji é assassinado por um atirador desconhecido após desafiar ordens para fornecer informações cruciais sobre o Projeto de Instrumentalidade Humana. Sua morte abala profundamente Misato, Shinji e Asuka. Em contraste, nos filmes Rebuild of Evangelion, Kaji tem um fim mais heroico, sacrificando-se para impedir o Terceiro Impacto, mas suas ações significativas ocorrem fora de tela, deixando um gosto agridoce para um personagem que representava esperança e um potencial modelo para Shinji.
Asuka Langley Soryu: Cicatrizes de Abuso e Sacrifício em Vão
Asuka é uma das personagens que mais sofre com o trauma em Evangelion. Marcada pela trágica perda de sua mãe e pela subsequente dissociação mental, ela deposita todo seu valor em sua habilidade como piloto de EVA. A queda em sua taxa de sincronia a mergulha na depressão e no sentimento de inutilidade. Apesar de um breve momento de conexão com a alma de sua mãe e um retorno triunfante com a Unidade-02, ela é brutalmente morta pelas Evas de Produção em Massa da SEELE. Sua subsequente “renascita” após a rejeição da Instrumentalidade é melancólica. Nos filmes Rebuild, seu destino continua sombrio, sendo peça fundamental no Quarto Impacto. Uma futura animação focada em Asuka pode, finalmente, lhe conceder o final feliz que ela tanto merece.
Toji Suzuhara: Potencial Interrompido e Trauma Ignorado
Toji Suzuhara, amigo de Shinji, representa um conto de advertência. Sua revelação como a Quarta Criança e piloto da Unidade-03 poderia ter aberto caminhos narrativos interessantes. No entanto, a série o transforma em um prenúncio do desespero. Quando a Unidade-03 é possuída pelo Anjo Bardiel, Shinji é forçado a destruí-la, descobrindo tarde demais que Toji era o piloto. Embora ele sobreviva, perde uma perna e se torna uma figura amargurada, relegada ao fundo da trama. Seu trauma serve apenas para impulsionar Shinji, uma injustiça para o personagem. Os filmes Rebuild oferecem a Toji um final mais ameno, com um casamento com Hikari, mas ainda assim parece um desfecho apressado para um personagem com potencial inexplorado.
Yui Ikari: Agência Roubada e Redução a um Conceito
Yui Ikari, mãe de Shinji e esposa de Gendo, é a força motriz por trás de muitos eventos em Evangelion. Sua alma presa na Unidade-01 após um experimento malsucedido impulsiona a obsessão de Gendo em recriá-la. Yui, através de seu filho e do EVA, o protege, enquanto Rei Ayanami se torna uma tentativa de Gendo de recuperá-la. Essas ações roubam a agência de Yui, transformando-a em um símbolo apocalíptico. Nos filmes Rebuild, seu papel é similar, mas ela consegue realizar o desejo de Shinji de destruir os Evas. Contudo, mesmo nesse desfecho, Yui é tratada como um conceito, não como indivíduo. Seu melhor final seria uma redescoberta de si mesma após a reconstituição do mundo e uma relação genuína com seu filho, em vez de ter sua memória profanada pelas ações destrutivas de Gendo.
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